sexta-feira, 31 de maio de 2013



Zeca Baleiro - Calma Aí, Coração


Palavras

         


          A verdade é que sou extremamente influenciável pelas palavras de LEIO. Nem tanto pelas que escuto. E mais do que as palavras em si, mas o modo como são dispostas e que se relacionam com vírgulas e travessões. Não digo que de acordo com a vontade do autor, pois que têm vontade própria e magia, dificilmente então se deixam dominar. Não são as palavras que se submetem ao pensamento de quem cria e de quem observa a criação: nós é que nos submetemos a elas.
          Se duvida de mim, comece tentando escrever um livro. Ou mesmo uma redação. Não é tão fácil assim.
          E é por meio desse poder misterioso que elas mesmas são capazes de me controlar, e o fazem o tempo inteiro.
          Agora mesmo, percebo o quanto meu modo de formular frases se parece com o do autor do livro que acabei de ler, há menos de duas horas.
          Ah! Sei que fere minha opinião própria esse comportamento. Mas como posso evitar? Sou apaixonada pelas palavras. Pelas imagens que podem criar em minha mente.
          Apaixonada por qualquer tipo de expressão artística. Todas elas guardam palavras encantadoras que saltam audaciosas por nossos olhos, ouvidos, pele, nariz... Imploram para sair pelos lábios. Mas, na maioria das vezes, tudo o que conseguem é transbordar, líquidas e salgadas, pelas pálpebras.


Mal de Poeta






O poeta é assim:
gosta mesmo de confundir.

Não sei se por vaidade, 
impulso ou varicela.
Se é para enfeitar sua poetência,
ou enganar quem lê...
Só não sabe dizer que a flor é bela:

Se em tal descanso
pousas tão quieta, 
um descaso com o feio
não desprezas...
na natureza, reinas
e pupilas estatelas.